Apesar disso, existem alguns pontos fundamentais que um aspirante a banqueiro central tem de dominar e transmitir de forma clara a todos. Três deles são cruciais para os desafios que o BCE enfrenta hoje. Primeiro, a inflação é determinada pela política monetária. Imprimir mais dinheiro ou baixar as taxas de juro aumenta a inflação. O banco central pode (e deve) ter outros objectivos para além da inflação, mas não pode perder de vista que, a longo prazo, a inflação é sua responsabilidade exclusiva.
Segundo, as grandes acelerações da inflação têm fonte nos problemas fiscais. Quando os governos acumulam tantas dívidas que perdem a confiança dos credores e se vêm desesperados para pagar os salários da função pública, viram-se para o banco central. Se for preciso, põem os banqueiros na prisão ou invadem o banco central, mas conseguem sempre que se imprima o dinheiro que falta. O resultado é a hiperinflação.
Terceiro, se as pessoas esperam que a inflação vá acelerar no futuro, isso causa inflação já hoje. As famílias vêm-se livres do dinheiro que vai em breve perder valor e as empresas sobem os preços à conta da inflação futura. As duas coisas levam a que o nível dos preços suba hoje. Foi assim na Alemanha dos anos 30; é assim hoje no Zimbabué.
Um banqueiro que domina estes três pontos tem de estar assustado. Cada vez que se fala da possibilidade de o BCE ajudar a Grécia, aumentam as expectativas de inflação futura. Isso põe pressão na subida da inflação hoje, e a curto prazo isto vê--se na queda do valor do euro. Por fim, o BCE sabe que, se a inflação dispara, é nele que vão cair todas as culpas. "
por Ricardo Reis, in ionline
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